segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Amanda e Rodrigo - JourneyTwoWorld






Bem vindos motoqueiros do mundo na mais nova sessão da nosso blog Sonho Sobre Duas Rodas.

Como muitos já sabem escolheria-mos uma vez por semana alguém dos nossos seguidores para nos dar uma entrevistas com perguntas aleatórias.

E quem inicia com a gente com exclusividade são os nossos amigos Amanda e o Rodrigo o casal da JourneyTwoWorld, esse casal chamou muito a nossa atenção por que acreditem se quiserem mas os dois estão indo ao Canada até ai normal muito brasileiros saem do país mas o que vocês não sabem é que eles estão indo de moto, isso mesmo estão percorrendo de moto toda a América até o seu destino não é de mais? E nós aproveitamos para convidar eles para responderem algumas perguntas sobre essa grande aventura.
  Então fiquem comigo até o final por que isso promete ser incrível.


Amanda e Rodrigo primeiramente muito obrigada por dispor do tempo de vocês para nos responder e mais uma vez sejam bem vindos ao Sonho Sobre Duas Rodas.


 Sonho Sobre Duas Rodas - Como surgiu a ideia de ir embora para o Canada de moto?

 Amanda e Rodrigo - Surgiu com a paixão dos dois por viajar e o desejo de conhecer outros países e culturas. Mas o fator principal foi que começamos a nos questionar sobre nosso propósito de vida em relação à carreira profissional, sobre estresse e a pressão que passávamos diariamente.
E decidimos que queríamos mudar, ter uma vida mais leve.
Inicialmente, o Canadá veio de um sonho antigo dos dois e também como uma alternativa para continuar trabalhando na atividade atual, por ser um país de muitas oportunidades em nosso segmento.
Posteriormente vimos que mudar apenas de país não seria suficiente para o que queríamos, aí entrou a ideia de ir de moto e fazer um “mochilão” por toda a América.


Sonho Sobre Duas Rodas - Como foi a primeira semana longe de casa?

 Amanda e Rodrigo - Foi como se tivéssemos tirado apenas alguns dias de folga do trabalho e que retornaríamos em breve para casa. A ficha só caiu mesmo depois de 45 dias na estrada, quando já estávamos na Argentina. Sair do país foi mais intenso, e a está altura completávamos 10 dias fora do Brasil.


Sonho Sobre Duas Rodas - Sabemos que todos os lugares que estão passando devem ser incríveis mas até o momento qual foi melhor lugar que vocês passaram em questão de cultura, paisagens, comida em fim o que mais gostaram?

 Amanda e Rodrigo - Difícil eleger um lugar que reúna tudo isso, podemos citar lindas paisagens para vários gostos (praias, cachoeiras, montanhas,etc), cada país apresentou uma diversidade grande de belezas naturais e também de hábitos e costumes. Mas para citar um lugar em especial onde pudemos ter uma imersão maior em relação à comida, música, dança e natureza, esse lugar foi a Argentina, na região de San Francisco Del Monte de Oro. Além de inesperado conhecer este lugar, passamos 10 dias com uma família que pode compartilhar conosco um pouco de tudo isso. Foi surpreendente e muito especial, deixou inclusive um lindo laço de amizade.

Sonho Sobre Duas Rodas - Como estão fazendo com o orçamento? Podem explicar mais como funciona a troca de trabalho por hospedagem?

 Amanda e Rodrigo - O orçamento foi construído com base no que poderíamos poupar até a data planejada para sairmos de viagem.
A economia que fizemos garantia os custos fixos (com valores aproximados) como: seguros (da moto, de viagem e para terceiros), gasolina (com base na quilometragem que calculamos entre os trechos), travessia da Colômbia ao Panamá, manutenções da moto, uma reserva pequena para emergência. E para os custos variáveis como: alimentação, hospedagem, passeios e outros (coisas pequenas do dia a dia para uso pessoal por ex.); sabíamos desde o início que tal valor não seria suficiente para o tempo que estimamos.
Por isso buscamos o voluntariado como alternativa para reduzir os gastos tanto com hospedagem quanto, por vezes, com alimentação e passeios. Além disso também contamos com pequenos trabalhos online, venda de seguro viagem e também a venda de doces típicos do Brasil nas ruas das cidades.
Sobre o voluntariado, usamos uma plataforma brasileira, Worldpackers, que promove o intercâmbio de trabalho colaborativo. A troca não só de serviços, mas também de experiência e cultura entre hostels/pousadas e viajantes do mundo todo. Para consultar as oportunidades no site ou app não paga nada, mas para se aplicar nas vagas sim se paga uma anuidade.
Em geral, as vagas exigem uma quantidade de horas trabalhadas por dia, por exemplo, 5  horas/dia, durante 5 dias na semana. Assim, temos livre o período em que não estamos trabalhando e também os outros dois dias na semana, em que somos hóspedes normais. As atividades variam de acordo com a necessidade do local, como: recepção, criar conteúdo ou gerenciar mídias sociais, limpar, cozinhar, fazer jardinagem, pintar, construir, decorar, ensinar idiomas.
Já fizemos de tudo um pouco e apesar do cansaço físico, notamos que estamos muito mais criativos, pois sempre temos tempo para pensar ou criar algo. Além de sempre aprendermos algo novo.

 Sonho Sobre Duas Rodas - Como montaram o roteiro para essa viagem?

 Amanda e Rodrigo - A partir das oportunidades que encontramos na plataforma Worldpackers, traçamos nosso roteiro com as cidades que teríamos chance de fazer o intercâmbio. Inclusive por conta disso, estimamos nossa viagem em 2 anos e 6 meses, pois cada Hostel/pousada exige um tempo mínimo de permanência, em média 2 semanas para cada um.
Entre os destinos principais para o intercâmbio, sempre há uma distância entre 800km a 1000km. Assim, conhecemos mais as regiões.
Além disso, durante o planejamento tratamos de buscar todas as cidades para abastecimento, preço médio da gasolina, pedágios, concessionárias da Triumph para manutenção, opções alternativas de hospedagem seja no meio do caminho entre um destino ou outro ou para quando não conseguíssemos um voluntariado. E claro, o mais importante, as documentações exigidas em cada país e tempo de permanência.

Sonho Sobre Duas Rodas - Nossas vocês estão praticamente tirando um ano sabático para vocês hehe

Sonho Sobre Duas Rodas - Qual foi a maior dificuldade que vocês passaram até agora?

 Amanda e Rodrigo - Nem tudo sai como planejado e não podemos prever tudo. Já passamos alguns perrengues sim, mas Graças a Deus sempre depois de uma situação não tão boa acontecia algo muito bom.
Não tivemos grandes dificuldades, mas um episódio nos deixou tão chateados que preferimos compartilhar em outro momento, agora por exemplo.
Em um passeio pela região de Valparaíso, fomos conhecer as praias de Quintay e o Ro fazer seu primeiro mergulho no Pacífico. Na saída deste povoado a pista era em formato de caracóis, com curvas muito acentuadas que subiam um morro. Na primeira curva haviam dois carros parados no meio da pista, fora do ângulo de visão de quem estava entrando na curva. Estávamos muito devagar, mas o problema foi a inclinação da curva, o Ro não conseguiu apoiar o pé direito (para onde a inclinação era maior) e caímos. Foi como em câmera lenta, nós não nos machucamos, mas a moto amassou e quebrou (uma parte estética, graças a Deus). Mas o que mais nos indignou foi não entender o motivo dessas pessoas estarem paradas em lugar indevido, e pior, irem embora quando viram que caímos. Tivemos ajuda de outras pessoas que passaram depois.
Foi uma experiência ruim, depois ficamos mais espertos com o trânsito, pois vimos que no Chile isso acontece muito, as pessoas param de repente, no meio da via e ligam o pisca alerta em cima da hora, sem se importar com os demais.

 Sonho Sobre Duas Rodas - Saudade de algo em particular do Brasil? 

 Amanda e Rodrigo -Da família, dos amigos e da comida.
Como o Brasil é rico em variedades de alimentos e tem preços bons. Sim, não estamos ironizando. Quando estávamos no Brasil achávamos tudo caro, mas quando saímos, descobrimos que o Brasil é o paraíso. Pelo menos essa foi a visão em relação ao Uruguai, Argentina e Chile.

Sonho Sobre Duas Rodas -O que esperam ao chegar no Canada?

 Amanda e Rodrigo - A partir do momento que escolhemos nosso método de viagem, o caminho se tornou o objetivo principal. Até porque tudo muda muito, o roteiro que construímos é uma referência, mas não está sendo seguido ao pé da letra. É trabalhoso dizer com exactidão aonde estaremos daqui 1 semana. Rs
Então não temos planos para o Canadá. Sabemos que temos a possibilidade de chegar e querer viajar o país todo e depois seguir uma nova jornada, ou querer ficar e buscar o visto/cidadania, ou até mesmo voltar para o Brasil. Tudo depende do resumo da experiência até chegarmos.

Sonho Sobre Duas Rodas - Quais são os planos para depois que acabar essa aventura? Afinal depois de uma viagem como essas não fácil ficar parado em lugar.

 Amanda e Rodrigo - Não sabemos se termina. Como dissemos, o Canada se tornou apenas uma referência, não o objetivo da viagem em si. Dessa forma aproveitamos mais todos os lugares que passamos.
Viajar é viciante porque começamos a descobrir e conhecer lugares e pessoas que despertam em nós mais vontade de seguir explorando.
Tudo depende de provarmos para nós mesmos que é possível nos manter financeiramente e viajar ao mesmo tempo para que possamos continuar.

Sonho Sobre Duas Rodas -  Como organizaram a bagagem para levar nessa viagem desde roupas até ferramentas?

Amanda e  Rodrigo - Nossa bagagem se resume nos três baús da moto, duas mochilas de trekking 45L, que colocamos acima dos baús laterais, e uma bolsa impermeável acima do baú traseiro.
Cada um tem um lado, ou seja, uma caixa e uma mochila onde vão as roupas, sapatos, produtos de higiene pessoal, remédios, tudo para o dia a dia. Temos por volta de 18 trocas de roupa somando roupas de verão, inverno, esportiva, mais arrumadinha, segunda pele para andar de moto. Dividimos as roupas do dia a dia em dois kits, um vai na mochila e outro na caixa dentro de um saco a vácuo para ocupar menos espaço. As roupas de frio também vão na caixa a vácuo.
A ideia é manter tudo mais fácil na mochila, a caixa é mais emergêncial.
Na caixa traseira é compartilhada, temos eletrônicos, capas de chuvas, luvas para frio e as camadas internas da roupa da moto, pois de uma hora para outra pode mudar o tempo e ali fica mais fácil parar e trocar.
E na bolsa acima da caixa traseira levamos todos os acessórios de camping e coisas básicas como compressor para encher o pneu e kit de reparo de pneu.
Não levamos muitas ferramentas, pois entendemos que não há muito o que fazer por conta se houver algum problema mecânico. A moto funciona de maneira eletrônica, com um circuito interligado que exige equipamentos especializados. Assim, em casos de pane, devemos acionar a concessionária da rodovia para que possamos ir até a cidade mais próxima onde encontramos atendimento necessário, ou o próprio seguro que oferece cobertura para a maioria dos países na América do Sul.

Sonho Sobre Duas Rodas -Como está sendo trabalhar em outros países?

 Amanda e Rodrigo  - Temos o pensamento de que as pessoas fazem os lugares. E descobrimos que as pessoas são as mesmas em todos os lugares. No sentido de que tem pessoas muito boas, dispostas e organizadas, outras que tentam ser, e aquelas que definitivamente não são e não querem.
O trabalho em si é o mesmo em todos os lugares, limpar o chão ou receber um hóspede não muda de um país para outro.
Muda o idioma e isso sim estamos aprendendo mais a cada dia, pois cada país ou região tem seu próprio vocabulário que se distingue em gírias ou sotaque. Assim, melhoramos o inglês e o espanhol, e nas horas vagas aprendemos um pouco de francês.

Sonho Sobre Duas Rodas - Qual conselho vocês dariam para quem deseja-se fazer uma viagem como a de vocês?

 Amanda e Rodrigo - O conselho é planejar, mas não se prender demais a este planejamento.
Não espere tanto pra ter a quantidade de dinheiro ideal, ou ter a condição perfeita para pedir demissão, e muito menos não espere ter a aprovação/incentivo das pessoas.
Confie no seu sonho e que você é capaz de realizá-lo.
É fundamental saber um pouco do que te aguarda e cumprir, principalmente, as exigências legais de cada país. Ter uma reserva ou pelo menos pensar em como fazer dinheiro ao longo da viagem. Não economizar com coisas importantes, como seguros e manutenção. Economize em outras coisas, como cozinhar no hostel ou onde estiver hospedado, lavar sua própria roupa, comprar uma bebida no supermercado e tomar em “casa”, são coisas que ajudam.

Sonho Sobre Duas Rodas -  Como surgiu o nome JourneyTwoWorld?

Amanda e Rodrigo - Buscamos em sites, blogs e vídeos ter dicas de especialistas de como chegar ao nome ideal, que expressasse o significado de maneira clara e objetiva.
Construímos um mural na sala de casa e ficamos cerca de 1 mês escrevendo palavras que tivessem alguma relação com nosso sonho. Cada vez que olhávamos para o mural tentávamos fazer conexão entre essas palavras para chegar a um nome.
Outro ponto importante foi encontrar disponibilidade nas redes sociais a cada ideia que surgia.
Até que finalmente, o Ro sugeriu Journey2World. Com um sentido duplo que significa:
- Dois mundos (os sonhos, desejos, medos, vontades, conhecimento de ambos) juntos em uma jornada.
- E simplesmente uma jornada “para” o mundo (quando se lê o 2 com o trocadilho de “para”, no inglês “to”).

Sonho Sobre Duas Rodas - E a moto como está sendo fazer a manutenção dela? Gastaram muito com ela até momento?

 Amanda e Rodrigo - Como citamos a cima, tivemos varias surpresas. Logo no segundo dia tivemos um problema com o “pé “ (descanso da moto) e tivemos que trocá-lo. Não é uma peça comum de troca, mas por sorte estávamos chegando em Floripa e a concessionária tirou de uma moto nova para vender-nos. Não estava previsto no orçamento, claro, o que foi ruim.
Em contrapartida, a revisão de 32mil km coincidiu de estarmos na cidade de Rosário onde a pouco havia inaugurado uma concessionária da Triumph. Entramos em contato, fomos muito bem recebidos com sessão de fotos, café da manhã e entrevista, e além disso fomos presenteados com todo o serviço. Não poderia ter sido melhor.
Já na cidade de Santiago, no Chile, onde chegamos com a moto danificada por conta do incidente, procuramos a concessionária local e eles não pareciam estar interessados em realizar o serviço, não houve esforço para um bom atendimento, além da falta das peças em estoque. Por sorte é uma necessidade estética que vamos buscar suprir no Peru.
Em resumo em termos de rede de serviço estamos equilibrados até o momento. Mas em performance da motocicleta estamos muito bem atendidos. Mesmo em situações críticas vimos que a moto foi muito bem projetada, comportando-se como uma verdadeira Adventure. Inclusive estamos surpresos com a autonomia realizada mesmo com a diversidade da gasolina entre os países, fazendo entre 16km/L a 22km/L.

Sonho Sobre Duas Rodas - Pergunta mais feminina direto para Amanda, como está sendo ficar longe ou pelo menos não ter acesso com muita frequência ao salão, lojas, unha feita etc… Sei que essa um problema para maioria das mulher talvez não seja o seu caso haha 

 Amanda e Rodrigo - Queria deixar claro que só está sendo mais difícil para mim do que para o Ro porque ele não tem cabelo. Hahaha
Brincadeiras à parte, eu nunca fui uma pessoa consumista em roupas, sapatos e acessórios então nesse sentido não sinto falta. Minha mãe é manicure e podóloga, trabalhei com ela por um tempo e por isso estava acostumada a ter tudo para as unhas e fazê-las eu mesma. Trouxe itens básicos, como alicates, espátula, lixa, base... porém unhas é um assunto delicado para mim. Sou muito ansiosa e tenho o péssimo hábito de roer as unhas quando não me sinto confortável em uma situação. Mas apesar de curtinhas, a cada 15 dias tento tirar cutícula e lixar pelo menos.
Agora cabelo está sendo mais difícil. Nunca fui muito de salão também, mas tenho minhas luzes e gosto de retocar a cada 3 meses. Porém não confio em qualquer pessoa para fazer, cabelo cacheado é mais delicado. Já completou 3 meses estou sofrendo um pouco com a cor e a raiz, mas ainda não está em um estado crítico, quando apertar busco um lugar. Usar o capacete também não ajuda a manter arrumado, mas sempre tenho aquele creme básico á mão. A parte boa é que meu cabelo não tem frescura, uso Seda para cachos e até aqui no Chile se encontra nos supermercados.
Além disso, tenho minha bolsinha de cremes e maquiagens, tudo reduzido, claro. Gosto de coisas mais leves, um corretivo, rímel e blush me deixam feliz (rs). O que mudou nesse sentido é que no Brasil não saia de casa sem esses itens e agora estou aprendendo a ser mais leve comigo de aprender a me sentir bem natural, e no dia que preciso aumentar a auto-estima uso algo.


E essa foi uma entrevista exclusiva com os nossos amigos que até o fechamento das perguntas estavam ainda no Chile.
     Amanda e Rodrigo desejamos uma excelente jornada para vocês e aproveitem muito mais uma vez obrigada.

Links

Perfil da JourneyTwoWorld ( https://www.instagram.com/journeytwoworld/ )

Link do  Worldpackers, sistema de troca de hospedagem por trabalho.https://www.worldpackers.com/pt-BR )


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